
Os mercados financeiros registraram ontem uma recuperação à medida que o otimismo dos investidores tenta se estabilizar após um início de dezembro volátil. Nesse contexto, as bolsas norte-americanas conseguiram anotar sua sexta alta em sete pregões; no entanto, esse avanço se caracterizou por uma variação estreita e uma amplitude limitada, refletindo um apetite por risco ainda bastante seletivo — desta vez, com a Apple liderando os ganhos no segmento megacap.
Esse contraste — vencedores muito pontuais convivendo com fragilidade generalizada em outras áreas dos índices acionários — voltou a gerar preocupação sobre a amplitude e a sustentação do rali. Embora tenham ocorrido algumas melhorias marginais, ninguém está pronto para decretar uma clara sinalização de compra.
A recuperação do Bitcoin acima de US$ 90.000 trouxe algum alívio após uma forte queda que eliminou cerca de US$ 1 bilhão em posições alavancadas e pegou o mercado completamente de surpresa. Ainda assim, essa estabilização não altera o fato de que o sentimento em relação à criptomoeda continua frágil, dado que o rali de ontem ocorre em um contexto técnico em que a tendência do Bitcoin segue baixista. Assim, a interação entre cripto, IA e ações mais cíclicas continua sendo uma das principais fontes de volatilidade no mercado.
Quanto às taxas soberanas e ao dólar, ambos tiveram uma sessão relativamente calma, com os rendimentos do Treasury de 10 anos se mantendo ligeiramente acima de 4%, enquanto o dólar oscilou sem direção definida — alinhado ao ajuste que o mercado vem realizando desde que o Fed abriu a porta para um novo corte em dezembro.
É importante destacar que, após reduzir os juros em 50 pb este ano, os dirigentes da instituição enfrentam níveis de discordância interna não vistos desde 2012, quando começaram a publicar suas projeções individuais. O que antes era um comitê relativamente alinhado agora se divide sobre quanto espaço ainda existe para continuar reduzindo as taxas de juros e quais riscos implicaria cortar rápido demais com a inflação ainda acima da meta.
Essa divisão interna explica por que o corte da próxima semana — praticamente indiscutido — pode vir com um tom mais restritivo, com ao menos três possíveis dissidências e uma mensagem que destaque a necessidade de prudência para o caminho subsequente. Também ajuda a entender por que a política monetária, apesar de ainda muito relevante, perdeu parte do protagonismo frente a narrativas mais dominantes, como a resiliência do consumo nos EUA e o superciclo de investimentos em IA.
Essa última dimensão — a macro dos EUA — é crucial para interpretar a dinâmica atual. Com um gasto do consumidor surpreendendo positivamente e um boom de investimentos em infraestrutura de IA que pode sustentar a produtividade e os lucros corporativos pelos próximos trimestres, posicionar-se vendido em ações norte-americanas exige hoje uma convicção extraordinária em um rápido deterioro da atividade ou em uma virada brusca e inesperada no capex tecnológico. Não é coincidência que, apesar do ruído, a tese central do mercado siga sendo a de que os EUA carregarão boa parte do crescimento global de 2026.
Ao incorporar tudo isso ao cenário global — a volatilidade das criptomoedas, a recuperação parcial das empresas de tecnologia, a estabilização das taxas de juros, o dólar sem direção, o Fed dividido e um mercado que já precifica um corte em dezembro — o resultado é um ambiente que segue favorecendo a seletividade em detrimento das apostas direcionais.
A narrativa do dia, portanto, é coerente com um mercado que tenta recompor o apetite por risco, reconhece a força da economia dos EUA e o impulso estrutural do ciclo de IA, mas não ignora que a política monetária entra agora em uma fase particularmente incerta devido à divergência interna no Fed. Essa combinação — recuperações limitadas, ralis seletivos, sensibilidade extrema a dados e sinais de política monetária — provavelmente acompanhará o mercado nas semanas que antecedem e sucedem o FOMC, especialmente em um ambiente onde o ruído político, as tensões comerciais e a fragilidade do segmento especulativo continuam lembrando que este ciclo, embora prolongado, permanece vulnerável a sobressaltos.
Hoje serão divulgados vários indicadores macroeconômicos nos Estados Unidos, entre eles: a produção industrial, o índice de preços de importação e exportação, e a utilização da capacidade instalada.
Embora esses dados sejam relevantes, desta vez chegam com atraso significativo, já que correspondem ao mês de setembro — um atraso derivado do fechamento parcial do governo norte-americano.
Nesse contexto, os números que concentrarão a maior atenção serão: o ISM de serviços de novembro, e o relatório de emprego ADP do mesmo mês.
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